Solo na Escola

A atividade Solo na Escola tem como objetivo trazer para os alunos das redes pública e particular, além dos visitantes que tenham interesse, conhecimentos sobre a formação e o desenvolvimento do solo, essa parte do planeta Terra tão pouco valorizada e falada. Utilizamos experimentos e atividades para ensinar as características do solo e algumas curiosidades, fazendo da sala um ambiente de aprendizado e conscientização sobre a importância do respeito e da preservação do meio ambiente. Contamos com experimentos e amostras que ilustram desde a formação do solo, os diversos tipos existentes no Brasil e no mundo, até os problemas socioambientais relacionados ao manejo inadequado desse recurso natural tão importante para toda a vida! Este projeto nasceu em 2009, coordenado pela Profª Dra. Déborah de Oliveira, da Geografia/USP.

Os temas tratados nesta atividade são:

  • Material de origem do solo e formação

  • Perfil de solo

  • Cores, texturas, e granulometria do solo

  • Porosidade do solo

  • Cargas elétrica do solo

  • Acidez e Alcalinidade do solo

  • Erosão e compactação do solo

  • Solo como filtro

  • Magnetismo do solo

  • Solo como condutor de eletricidade

  • Solo como produtor de energia

  • Compostagem

  • Fauna do solo

  • Oficina de tinta de solo

  • Produtos do solo

  • Entre outros

Rochário


O rochário contém uma variedade de rochas magmáticas, metamórficas e sedimentares e alguns minerais. Com essa atividade é possível demonstrar a ação do intemperismo com uma amostra de rocha que sofreu erosão e assim visualizar efeitos da ação climática sobre apenas uma área da rocha afetada. Iniciamos no rochário a explicação da origem do solo e como as suas características podem variar a partir do tipo de rocha e de sua composição mineralógica.

Alguns exemplos de rochas e minerais:


Categorias de rochas (metamórfica, sedimentar e magmática/ ignea)

Metamórfica

As rochas metamórficas sofreram metamorfose, portanto, surgem a partir da transformação das rochas sedimentares ou magmáticas. Elas são formadas por processos físico-químicos que ocorrem pela ação de diversos fatores relacionados como a umidade, a temperatura e a pressão no interior da Terra. Essas rochas costumam agregar minerais diversos, que se solidificaram pela temperatura e pressão.

Rochas metamórficas costumam ser utilizadas na construção civil e, por isso, têm grande importância econômica. São exemplos de rochas metamórficas: ardósia, anfibolito, xisto, mármore, gnaisse, quartzito.

Sedimentar

As rochas sedimentares são formadas a partir da erosão de outras rochas e sua solidificação, compactadas com o passar do tempo. Elas são formadas durante um longo período, por meio de processos físicos, químicos e biológicos. Portanto, as rochas sedimentares são uma importante fonte histórica do tempo geológico, nelas costumamos encontrar fósseis.

Magmática/ Ignea

As rochas ígneas ou magmáticas são formadas pela solidificação do magma presente no interior do planeta. Além de se solidificarem no interior do planeta, são também formadas na crosta terrestre. Dessa forma, quando ocorrem as erupções, as lavas (magma derretido) são expelidas e ao entrarem em contato com o ambiente se resfriam e se solidificam, formando assim as rochas magmáticas.

Um exemplo é a rocha obsidiana, formada por sílica, também conhecida como vidro de dragão, sempre citado no jogo Minecraft e na série Game of thrones.

Minerais e Rochas

No solo é possível encontrar diversos minerais, que encontramos com muita facilidade no nosso dia a dia, são eles:

Minerais Metálicos

Ferrosos (uso intensivo na siderurgia e formam ligas importantes com o ferro): além do próprio ferro, manganês, cromo, níquel, cobalto, molibdênio, nióbio, vanádio, volfrâmio.

Não-ferrosos: básicos (cobre, zinco, chumbo e estanho) e leves (alumínio, magnésio, titânio e berílio).

Preciosos: ouro, prata, platina, ósmio, irídio, paládio, rutênio e ródio.


Agrominerais (minerais e rochas para a agricultura): fosfato, calcário, sais de potássio, enxofre, feldspato, flogopita, gipsita, zeólita, etc.

Rochas/Minerais Industriais

Construção civil: agregados (brita e areia), minerais para cimento (calcário, areia, argila e gipsita), rochas e pedras ornamentais (granito, gnaisse, quartzito, mármore, ardósia etc.), argilas para cerâmica vermelha, artefatos de uso na construção civil (amianto, gipsita, vermiculita, etc).

Indústria química: enxofre, barita, bauxita, fluorita, cromita, pirita, etc.

Cerâmicos: argilas, caulins, feldspatos, sílica, talco, zirconita, etc.

Isolantes: amianto, vermiculita, mica, etc.

Abrasivos: diamante, granada, quartzito, coríndon, etc.

Formação do solo

O solo é resultado da decomposição e alteração das rochas, popularmente chamadas de pedras. O solo se forma dos pedacinhos de rocha que se soltam dela e se alteram quando chove, venta ou faz muito frio ou muito calor. Alguns organismos vivos também cooperam para a decomposição da rocha, já que realizam reações químicas que agem diretamente na rocha, transformando-a aos poucos. Conforme o solo se forma, a rocha diminui de tamanho, processo chamado de intemperismo. Os restos de vegetais e animais mortos, quando passam pelo processo de decomposição, fornecem nutrientes e ajudam a formar o solo (parte orgânica do solo), se misturando aos pedacinhos de rocha (parte mineral do solo).

Intemperismo

Para facilitar a sua compreensão, já que você não tem acesso à nossa sala e aos nossos incríveis monitores para auxiliar, indicamos esse vídeo bem legal do Descomplica onde são explicados de forma lúdica os processos químicos e físicos do intemperismo. Clique na imagem para acessar.

Horizontes do Solo

O solo começa a se formar por causa das ações de fenômenos biológicos, físicos e químicos. A formação do solo não é uniforme, mudando conforme as condições do ambiente e criando camadas (uma sobre as outras) com diferentes características que nomeamos de horizontes.


O - Matéria orgânica, materiais em decomposição. É o horizonte superficial. Nomes populares: serapilheira e palhada.

A - Predomínio de matéria orgânica e contém certa quantidade de húmus.

E - Perde materiais para horizonte B, como argila e óxidos de ferro.

B - Os materiais perdidos nos horizontes acima se concentram nesse horizonte. Ele apresenta cor bem marcada e é o horizonte mais desenvolvido.

C - Refere-se a transição da rocha para solo, uma rocha bem alterada, ou saprolito.



Fonte imagem: http://www.dct.uminho.pt/pnpg/gloss/horizontes.html

Você sabia ?

Que cerca de 75% dos cemitérios do país tenham problemas com vazamentos de necrochorume, que é o líquido resultante da decomposição dos corpos e que contamina o solo e aquíferos freáticos e eventualmente reservas subterrâneas. Um corpo de 70 quilos tende a perder até 30 quilos em forma de necrochorume! Com a contaminação do solo e o lençol freático com esses materiais pode ocorrer a contaminação dos seres vivos de qualquer natureza, com uma série de moléstias e doenças infectocontagiosas. Clique na imagem e saiba como a pandemia de covid contribui para a maior contaminação do solo.

Texturas do Solo

Os solos são diferentes em suas propriedades e características. Por exemplo, os solos argilosos se apresentam extremamente duros quando secos e muito pegajosos e plásticos quando molhados. Estes solos, que contêm muita argila, apresentam maior capacidade de retenção de água e nutrientes do que os solos arenosos. As partículas de argila são caracterizadas por apresentarem tamanho extremamente pequeno, grande área externa por unidade de peso e pela presença de cargas em sua superfície, por isso atraem íons (nutrientes) e água. Já os solos arenosos não apresentam características relevantes de dureza, plasticidade e pegajosidade e secam mais rapidamente que os argilosos.

A textura de um solo pode ser percebida através do tato, a sensação que se tem ao esfregar um pouco de solo entre os dedos.

A areia provoca sensação de aspereza (como areia da praia).

O silte, de sedosidade (como talco)

A argila, de plasticidade e de pegajosidade.

Colorteca

O solo pode ter cores variadas como vermelho, preto, amarelo, branco, cinza, etc. Essa diversidade de cores depende tanto do material de origem do solo, como da sua posição na paisagem, do conteúdo de matéria orgânica e mineralogia, dentre outros fatores. A cor é muito relevante no momento de diferenciar os horizontes do solo dentro de um perfil e auxiliar na sua classificação. Em estudos de campo mais científicos, os pedólogos se utilizam da comparação entre uma amostra de solo e a referência padronizada, que é a carta de cores de Munsell.

Filtros do Solo

Nesta experiência podemos compreender como o solo funciona como um filtro. Durante o processo de absorção e infiltração da água no solo, ele age na retenção física e química de matérias e substâncias. Quando observamos a quantidade e a qualidade da água que passa pelo solo é possível perceber a ação direta deste na filtragem a água.

Possibilita uma melhor compreensão sobre a função de filtro natural que o solo desempenha, retendo partículas e substâncias, inclusive poluentes. Ajuda a demonstrar sua importância em questões como a contaminação de corpos d’água e da urgência de sua conservação para a preservação da qualidade ambiental.

Erosão hídrica do solo

Sabemos que a vegetação protege o solo da erosão e que quando o solo está nu a erosão acontece de forma mais intensa. Dessa forma, quando ligamos as três torneiras desse experimento, a água penetra no solo e transporta material para os fundos de garrafas pet penduradas nas pontas dos galões.

A vegetação viva protege mais o solo da erosão e transporta pouco material.

A vegetação morta protege pouco o solo e transporta um pouco mais de material.

O solo nu não tem proteção e transporta muito material.

Já pensou em montar EM CASA seu simulador de erosão? É muito fácil!

Materiais:

  • Três (03) caixas de sapato

  • Três (03) garrafas PET de 2L

  • Uma (01) garrafinha de água de 500ml

  • Uma (01) tesoura

  • Um (01) estilete

  • Três (03) recipientes

  • Solo

  • Folhas secas

Montagem:

Use a tesoura e faça um recorte nas caixas de papelão para apoiar a garrafa PET, dois recortes nas extremidades.

Com o estilete, abra um retângulo na parte superior das garrafas PET, similar a nossa imagem dos galões na foto anterior, na parte inferior faça furos ou um T invertido.

Na tampa da sua garrafinha de água, faça furos para simulação da chuva.

Após realizar esse procedimento, coloque apenas solo em uma garrafa, no seguinte solo e folhas secas e no terceiro solo com vegetação, você pode plantar ou pegar grama ou similar em algum lugar próximo a você.

Encha sua garrafinha de água e despeje sobre seu simulador três vezes, utilize o recipiente no gargalo da garrafa para abrigar a água que irá escorrer e veja o resultado!

Separamos um vídeo do passo a passo realizado pela EMBRAPA. Dá uma olhadinha lá!

Novidade: Série "Solos do Brasil"

Os solos brasileiros se classificam em 13 classes contidas no Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos (SiBCS). Essa diversidade é decorrente da grande extensão territorial do país, o qual apresenta diferentes condições geográficas que influenciam diretamente na formação de diferentes solos. Fatores como clima, geologia e manejo determinam as características químicas, físicas e morfológicas do solo.

Venha conhecer as características dos solos presentes no Brasil nessa série de textos explicativos! O mapa abaixo foi produzido e divulgado pela Embrapa Solos e nós deixamos ele interativo. Clique em cada tipo de solo na legenda para saber mais.

Encontre aqui os sites referentes ao projeto Solo na Escola, que contêm mais material sobre os solos e explicações dos experimentos exibidos no parque, inclusive como fazê-los em casa! Também não deixe de nos seguir nas redes sociais!

  • Nosso blog com a explicação de todos os experimentos, e nossos contatos:

http://solonaescolageografiausp.blogspot.com/


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  • Caso queria entrar em contato conosco, tirar dúvidas, agendar uma visitinha, este é nosso email:

educaemsolos@gmail.com

Autoria: Azarias, V.; Miguel, L; Santana, M.; Pusceddu, L.; Bassini, A.; Oliveira, D. (2020) Solo na escola.

Créditos detalhados

Autores:

Victoria Azarias

Leonardo Marques Miguel

Marcos de Paula Xavier de Santana

Luca Hermes Pusceddu - lhp@ib.usp.br

Ailton Marcos Bassini

Profa. Dra. Déborah de Oliveira