Combate à Covid-19: políticas públicas e geopolítica

Como desmembramento natural da nossa sequência de Reuniões Abertas de Formação em fevereiro de 2021, vamos continuar discutindo alguns dos problemas envolvidos na atual pandemia, que se arrasta há mais de um ano. Desta vez, a proposta é aprofundar um pouco mais na discussão sobre as diferentes políticas públicas empregadas no combate à covid-19 e como as movimentações geopolíticas afetam esse combate.

As políticas públicas no combate à pandemia se restringem às medidas sanitárias? Qual o alcance da influência de lideranças políticas nas práticas cotidianas de prevenção à Covid-19? Por que alguns países conseguem desenvolver vacinas e outros não?

Fique por dentro do que rolou:


Na apresentação inicial foram abordadas algumas experiências de combate à Covid-19 realizadas em Cuba, Venezuela, Brasil, EUA, Nova Zelândia, China, Índia, Israel, Europa e África. Alguns dos aspectos geográficos, históricos e políticos que vieram a tona na formulação das diferentes políticas públicas durante a pandemia foram destacados e dados fornecidos pela plataforma Our World in Data ajudaram comparar os números de infectados, mortos e vacinados entre os diferentes países.


O desenvolvimento do polo científico cubano, pós-Revolução, com destaque para a biotecnologia foi apontado como um fator essencial para que o país esteja atualmente com quatro vacinas contra a Covid-19 sendo testadas em seres humanos. As políticas "não sanitárias" de combate à pandemia foram destacadas na apresentação sobre a Venezuela. Sobre o Brasil, foi apresentada uma pequena retrospectiva sobre o Instituto Butantã e a Fiocruz, passando pela fundação da Bio-Manguinhos e do chamado "Massacre de Manguinhos" durante a ditadura militar, além da instituição do Programa de Auto-Suficiência Nacional em Imunobiológicos (PASNI) e do desmonte do Centro Nacional de Distribuição de Imunobiológicos (CENADI). O paradoxo do lockdown com abertura das escolas no pior momento da pandemia no ṕaís também foi abordado. OS EUA foram lembrados como o país com o maior número de mortos por Covid-19. Aspectos políticos como o negacionismo de Trump e a suspensão do financiamento à OMS foram destacados, assim como a política de embargos e sanções econômicas durante a pandemia.


As características geográficas da Nova Zelândia foram apontadas como um fator importante na contenção das infecções, pois trata-se de uma ilha com poucos vizinhos próximos. Além disso, a política de auxílio para famílias de baixa renda e o sistema público de saúde foram lembrados como pontos positivos. A China, mesmo com uma população enorme, conseguiu aplicar com sucesso os lockdowns e freou bruscamente o avanço das infecções. Ao mesmo tempo desenvolve vacinas e equipamentos de higiene em larga escala. Assim como a China, a elevada população da Índia foi apontada como um aspecto relevante durante a pandemia. Foi ainda destacada a atual política de melhoria das condições sanitárias, desenvolvida pelo primeiro-ministro Narendra Modi, um aspecto fundamental para a saúde coletiva. Sobre Israel, foi exposto que, ao mesmo tempo em que apresenta um índice altíssimo de vacinação, expressa um contraste brutal em relação ao tratamento dispensado aos palestinos.


Em relação à Europa foi discutida a questão da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e a série de problemas decorrentes disso, incluindo a disputa pela vacina da Oxford-AstraZeneca, que foi desenvolvida no Reino Unido mas é produzida também em fábricas situadas em países membros da UE. Já a fragilidade econômica compartilhada pelos países africanos foi indicada como um dos grandes problemas no combate à Covid-19 no continente. A dependência da ajuda externa foi intensificada durante a pandemia, assim como as disputas geopolíticas entre China e EUA, principalmente, no continente.


A discussão começou com uma problematização a respeito da necessidade dos deslocamentos, como por exemplo as viagens turísticas. Isso devido à possibilidade de levar ou trazer novas variantes entre os diferentes lugares visitados. Além disso, foi ressaltada a necessidade da manutenção das medidas sanitárias ao longo das campanhas de vacinação. A discussão entre as responsabilidades individuais e do poder público também esteve presente durante a atividade. Foi comentado que, ao mesmo tempo em que atitudes individuais e individualistas afetam a situação, a atuação do poder público desempenha um papel fundamental. Por exemplo, na Fase Vermelha declarada recentemente no estado de São Paulo atividades industriais e de construção civil se mantiveram completamente liberadas.


A importância e a viabilidade dos lockdowns também foi discutida. Apesar de ser um instrumento efetivo para impedir a trasmissão da doença, foi colocada a importância de garantir as condições para que as pessoas fiquem em casa e não apenas impor um toque de recolher.


Acesse a gravação da atividade para saber mais!


Referências apresentadas pelos participantes durante a discussão:


O que é alfainterferona 2b e como funciona no organismo?


Atila Iamarino - Live 02/03/21 - À beira do colapso


Lista de países por população


Após bloqueio de Israel, Gaza recebe 1º lote de vacinas contra covid-19


Projeção do governo de SP indica colapso do sistema de saúde em 2 semanas


Itália é 1º país da UE a bloquear exportação de vacina contra covid-19

Acompanhe aqui os slides utilizados na apresentação inicial, com as referências utilizadas:

Combate à Covid-19 no mundo: políticas públicas e geopolítica

Se você não conseguiu participar, assista aqui a gravação na íntegra da atividade:

Contato: reunioesabertascientec@gmail.com

Autoria: Souza, C.; Damasceno, H.; Pontes, S.; Pusceddu, L. (2021) Combate à Covid-19: políticas públicas e geopolítica.

Créditos detalhados

Autores: Henrique Damasceno, Luca Hermes Pusceddu e Silas Lima Pontes.