Carlos Fuser

Carlos (à esquerda) em sua última visita ao CienTec, em dezembro de 2019.

Prezados amigos,

É com imensa tristeza que comunicamos o falecimento de nosso colaborador de duas décadas, Carlos Fuser, ocorrido no domingo passado, dia 15 de novembro 2020. Para aqueles que já souberam, enviamos um breve resumo de sua trajetória.

Sua ação no Projeto Ecossistemas Costeiros (IB/USP e CienTec/USP) se iniciou em 1999, a partir de quando passou a colaborar nos cursos de extensão e depois bacharelado, dentro de uma das áreas na qual era especialista, a da evolução histórica e política das visões da natureza e conservação ambiental.

Suas palestras, ministradas em duas disciplinas diferentes, estavam entre as aulas mais estimulantes do curso, onde o conteúdo, extremamente interessante e paradigmático, gerava bastante discussão. Além disso, sua mensagem era sempre repassada com extremo bom humor, em seu vozeirão único, que podia ser ouvido (...) a quarteirões de distância. Foram ao redor de 30 palestras, a última no curso condensado de julho de 2019, em palestra ministrada no começo da tarde do dia 23, no auditório do CEPEUSP.

Dentro dessa iniciativa, certamente teve grande importância na formação da visão crítica de muitos profissionais que passaram pelos cursos e que por isso seguiram carreira como monitores, analistas ambientais e gestores de unidades de conservação.

Fora isso, Carlos teve um papel determinante na formação da ONG Ecosteiros a partir de 2001, gastando voluntariamente um tempo e energia consideráveis no processo de elaboração, obtenção da autorização e registro em cartório do seu estatuto, usando sua experiência anterior na área. A ONG se manteve por quase duas décadas, até 2018, quando foi encerrada.

Sua colaboração nesses projetos e cursos, com um objetivo social e transformador, vem de suas origens. Pertencendo a uma família que se posicionou, desde o início, contra a ditadura militar e as enormes injustiças cometidas naquela época, sofrendo as consequências dessa atitude ele, após estudar artes plásticas na FAAP, se uniu aos movimentos sociais do início da década de 80. Participou, por exemplo, das discussões da formação do Partido dos Trabalhadores e trabalhou em diferentes sindicatos. Sua atuação sempre se diferenciou por sua independência de opinião, assumindo posições críticas que muitas vezes desafiavam os paradigmas vigentes até mesmo dos grupos nos quais atuava.

Já na década de 90, voltou sua ação para a educação, concluindo licenciatura em educação artística no Centro de Belas Artes. Fez pedagogia na USP e posteriormente mestrado em psicologia da educação na PUC-SP. A partir daí passou a lecionar em várias universidades, como a Cruzeiro do Sul, se especializando também no ensino a distância, formando dezenas de turmas de alunos. Como sempre, apaixonado pelo que fazia, pela família, pela humanidade, esbanjando generosidade. Ele era fascinado pela educação e tinha muitos planos para continuar atuando como educador mesmo após sua aposentadoria.

Ao longo de toda essa trajetória, uma característica marcante foi seu entusiasmo e imenso senso de humor, que permitia achar graça mesmo ao discutir as questões mais críticas e difíceis, inclusive de sua vida pessoal. Irradiava alegria e por isso sua presença sempre trazia uma atmosfera deliciosa para todas as pessoas reunidas. Ao mesmo tempo era uma pessoa de conversa fácil, a quem não faltava assunto. Nas longas conversas, uma outra de suas características era a ênfase em cada palavra que, junto com sua voz potente e divertida, o tornava inconfundível. Tinha um lugar especial em seu coração a netinha, Juju, para ele um presente da vida!

Carlos era verdadeiramente uma pessoa singular, sem substituto. Certamente fará muita falta para este mundo e para cada um de nós, que estivemos com ele, tanto profissional como pessoalmente.

Por outro lado, tivemos essa oportunidade de conviver com ele, que permanecerá vivo em nossa imaginação. Poderemos também passar a outros os ensinamentos de vida que ele nos deixou e que agora, nesse momento tão triste, subitamente se tornaram tão claros e evidentes.

Deixou a esposa, Márcia Tura, as filhas Laura e Bia, o filho Daniel, o pai, Fausto Fuser, a mãe, Marlene Perlingeiro Crespo, os irmãos, Igor, Bruno, Gil e Ana e a netinha querida, Giulia. Muitos amigos e muitas amigas, mais ou menos próximos que nunca o esquecerão, uma imensidão de pessoas que o amam.

Participaram da elaboração deste documento sua família e a equipe do Projeto Ecossistemas Costeiros da Universidade de São Paulo.